Conde Saint Germain

Por Idemar Bueno, 20/05/2010 07:51

O CONDE SAINT-GERMAIN

Saint Germain

A verdadeira identidade do homem que conhecemos como o Conde de Saint-Germain é hoje em dia um mistério ainda maior do que foi no período que o tornou célebre. Segundo René Alleau, ele seria um príncipe da Transilvânia, chamado Leopold Georges Rakoczy e teria nascido em 1696 em Kis-Tapolcsany. O historiador Frederic Buleau crê que ele tenha sido o filho do arrecadador de impostos de uma aldeia da Sabóia. Alguns acreditam que era parente de Henrique IV, o que explicaria o seu livre trânsito junto a nobreza européia. As datas de 1697 e 1710 também são cogitadas para o seu nascimento. No entanto, em 1710 justamente, há registro de uma passagem do Conde por Veneza, então com a aparência que sempre teria: a de um homem de quarenta e poucos anos de idade. Mesmo sua ligação com os Rakoczy é incerta, possivelmente adotiva. Teria sido criado pelo último dos Médici e foi beneficiado pelo testamento do Príncipe Franz-Leopold Ragkoczy, seu suposto pai. Outro problema em determinar a sua verdadeira identidade está no fato de que, seguindo um hábito comum entre as pessoas nobres da época, o Conde apresentava-se com vários nomes e títulos. Assim, por exemplo, entre 1710 e 1822 ele apareceu como Marquês de Montferrat, Conde Bellamarre ou Aymar em Veneza, Chevalier Schoening em Pisa, Chevalier Weldon em Milão e Leipzig, Conde Soltikoff em Gênova e Leghorn, Graf Tzarogy em Schwalbach e Triesdorf, Príncipe Rakoczy em Dresden e como Conde de Saint-Germain em Paris, Haia, Londres e São Petersburgo. Há rumores de que ele também teria sido o Conde Hompesh, o último Grão-Mestre dos Cavaleiros de Malta…Sua trajetória vertiginosa pela Europa teria terminado em 27 de fevereiro de 1784, no Castelo do Príncipe Karl de Hesse e teria sido enterrado a 02 de março, segundo os registros da Igreja de Eckernförde. Mesmo assim, a 15 de fevereiro do ano seguinte, Saint-Germain é escolhido como um dos representantes dos maçons franceses na Grande Conferência Maçônica de Paris, atuando com destaque! Em 1788 conversa com o Conde de Châlons na Piazza San Marco, em Veneza. Em 1789 adverte Maria Antonieta e Mme. D’Adhemar sobre a Revolução iminente, em termos implacáveis, inclusive prevendo a morte delas pelas mãos do carrasco. Ao que se sabe, essa teria sido a última aparição comprovada do misterioso personagem a quem o filósofo Voltaire (ninguém menos) chamava de “o homem que não morre e que sabe tudo”.Esgotadas as citações históricas, passamos a analisar as referências aos poderes e aos talentos extraordinários desse grande mestre ao qual a maioria das ordens esotéricas reinvindica como fundador ou inspirador. Inclusive, atualmente, Saint-Germain desfruta de um culto específico dentro da Fraternidade Branca, onde é tido como o Mestre Ascencionado responsável pelo Sétimo Raio e pela Chama Violeta.Alquimista de renome, capaz de transformar metais em ouro, como diante de Casanova, que o conta em suas “Memórias” e de retificar a impureza de um diamante, como fez para Luis XV, algo que nem mesmo a ciência moderna pode fazer, distribuía despreocupadamente pedras preciosas e ouro que alegava fabricar com o auxílio da Pedra Filosofal. Quando foi preso por espionagem em Londres, em 1745, brilhava nos salões como exímio violinista e executor de clavicórdio. Excelente pintor, de quadros cujas cores possuíam raro brilho e cujo segredo não revelava, Saint-Germain ainda possuía vários talentos inexplicáveis, como a capacidade de escrever ao mesmo tempo com as duas mãos e o desconcertante poder de falar qualquer idioma como se fosse natural do país. Dentre os idiomas que comprovadamente dominava estavam: russo, inglês, francês, espanhol, português, italiano, grego, latim, sânscrito, árabe e chinês, bem como os idiomas e dialetos da Europa Central. Aos que se espantavam dessa capacidade ele apenas respondia, com naturalidade, que não deveria surpreender que um imortal acabasse aprendendo a maioria dos idiomas do mundo. Isso também explicava o fato de que parecia conhecer intimamente qualquer cidade do planeta, o que demonstrava constantemente ao conversar com viajantes de lugares distantes, quase sempre trazidos apenas para desmascará-lo e que acabavam boquiabertos, perplexos diante do conhecimento que ele demonstrava, como se tivesse crescido em todas as cidades. Quase todos o tomavam por um conterrâneo que por algum motivo negava a sua nacionalidade. Outro fator que muito contribuía para a sua fama era a atitude desaforada que possuía, agindo o tempo todo como o imortal que dizia ser. Sagaz e astuto como um homem de “marketing”, atuava para as multidões que o seguiam pela rua como a um eclipse: sem olhar diretamente. Contam as lendas que uma vez parou diante de um crucifixo e comentou com seu criado: “- Impressionante como alguém que nunca o viu pôde retratá-lo tão fielmente…” A declaração caiu na multidão que o seguia como uma bomba. Com a respiração suspensa, ouviram quando o criado disse: “- Esquece, mestre, de que só o sirvo há quatrocentos anos…” Apesar de freqüentar os salões da nobreza, fazia as refeições sozinho, quase sempre vegetarianas. Raramente tomava vinho, nunca se casou e nunca foi desmentido em suas alegações. Sua principal obra é “A Santíssima Trinosofia”, uma das poucas que lhe podem ser corretamente atribuídas e que trata de alquimia em termos bastante obscuros. Também deixou duas partituras de sua autoria, atualmente no Museu Britânico. De uma forma ou de outra, sua morte não foi suficientemente plausível e o mito de sua imortalidade persiste ainda hoje, embora os relatos modernos de suas aparições não possam ser comprovados. É natural que a fascinante personalidade do Imortal viva também na literatura modrena. Giovanni Papini, por exemplo, nos deixou uma bela página em seu livro “Gog”, na qual relata um suposto encontro com o Conde durante uma viagem de navio. Aos olhos deste cronista (considerando que os alquimistas possuíam o célebre Elixir da Longa Vida) é bem possível que o Conde possa dedicar um pouco de seu tempo infinito a navegar pela Internet e que acabe ( por que não? ) lendo esta pequena nota.Se assim acontecer, que receba a nossa humilde homenagem e o imenso respeito devido a todos aqueles que dedicam a Vida à busca do Conhecimento.

Paz e Sucesso!
Idemar Bueno.

5 comentários para “Conde Saint Germain”

  1. maria inez disse:

    gostaria de comprar o livro a santissima trinosofia de Sant Germany

  2. Idemar Bueno disse:

    Maria Inez,

    o livro está disponível no site da editora MERCURIO

  3. maria de lourdes disse:

    Ao ler esse trecho, me senti mito inspirada. Parece que minha alma subiu ateh os ceus!!

  4. Idemar Bueno disse:

    Obrigado Maria de Lourdes por suas palavras, que bom que através do Mestre Saint Germain sua alma pode receber um pouco mais de Luz.

    Paz e Sucesso!

  5. Tânia Maria disse:

    É uma boa referência. Serviu-me de modelo para reflexão sobre meu “estar no mundo”. Como já disse: conhecimento é terapêutico.

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